Segurança pública · Plataforma web e mobile

190 · Tecnologia para a Polícia Militar

Plataforma integrada que ligava cidadão, policial em campo e comando do batalhão: pedido de ajuda pelo celular, localização em tempo real e painel de gestão das ocorrências.

Papel
CTO e sócio da Rio Tech
Organização e período
Rio Tech · 2014 – 2015
Plataformas
Painel web do comando · App do cidadão (Android) · App do policial · Tablet da viatura
Painel web do Sistema de Gestão 190 com indicadores de efetivo e viaturas, mapa de ocorrências, gráficos por situação e tabelas de atendimento
Painel web do batalhão, versão 1.4.5, fevereiro de 2015. Nome do usuário ocultado.

01 / Contexto

História e problema

Para quem
Secretarias de segurança pública e batalhões da Polícia Militar, os policiais em campo e o cidadão que precisa de atendimento.
Problema
Em 2014 o pedido de ajuda dependia da ligação ao 190 e de repasses entre central e batalhão. A apresentação da época citava pesquisa segundo a qual 70% das pessoas não confiavam na polícia (UOL, 2013) e o custo da violência em 5,4% do PIB (O Globo, 2014). A proposta era encurtar o caminho entre o pedido e a viatura e dar ao comando uma visão em tempo real.
Restrições
Redes móveis de 2014 sem 4G e congestionadas em grandes eventos (num Fla x Flu no Maracanã, até uma ligação era difícil), comunicação de campo baseada em rádio (Nextel) e equipe de cinco pessoas.
  1. 2014

    Fundação da Rio Tech com cinco pessoas e definição da plataforma integrada para PM, Polícia Civil, Bombeiros, Guarda Municipal e Defesa Civil.

  2. 2014 – 2015

    Apps do cidadão e do policial, tablet da viatura e painel do batalhão. Painel na versão 1.4.5 em fevereiro de 2015.

  3. 2014 – 2015

    Mais de 12 meses de testes e reuniões com órgãos de segurança no Rio de Janeiro, Pará e Amapá.

  4. Depois dos testes

    Venda da tecnologia a uma empresa da Lituânia; a Rio Tech passou a desenvolver projetos no setor privado.

02 / Papel

Minha responsabilidade

Liderança e direção

  • Defini com os sócios o conceito de uma plataforma única para cidadão, policial e comando, e o escopo de cada aplicativo.
  • Conduzi as apresentações e os testes com órgãos de segurança pública em três estados.
  • Decidi, diante do limite de infraestrutura da época, vender a tecnologia em vez de insistir na implantação pública.

Trabalho da equipe

  • Desenvolvimento dos aplicativos e do painel pela equipe da Rio Tech, de cinco pessoas.

03 / Arquitetura

Arquitetura documentada

O que as telas e a apresentação da época comprovam. O código-fonte não está disponível; a arquitetura abaixo mostra canais, funções e integrações visíveis nas telas, em nível público e não operacional, e as linguagens usadas pela equipe.

Arquitetura funcional do sistema 190 (2014–2015)
  1. Usuários
    • Cidadão
    • Policial em campo
    • Comando do batalhão
  2. Canais
    • App Eu Polícia (Android)
    • App do policial e tablet
    • Painel web de gestão
  3. Plataforma Rio Tech
    • Registro de ocorrências
    • Localização em tempo real
    • Chat com mídia
    • Programa de pontuação
  4. Serviços externos
    • Mapas (Google Maps)
    • Login com rede social
    • Rede móvel

Camadas e tecnologias

Interface
Três canais por papel: app do cidadão com botão de ajuda e registro em duas etapas; app do policial e tablet na viatura com ocorrências num raio configurável; painel web do batalhão com indicadores, mapa, tabelas por situação, agenda de tarefas e consulta de trajetos.
Funções da plataforma
Cadastro de cidadãos, policiais (matrícula) e viaturas (chassi, Renavam e placa); classificação da ocorrência; posição em tempo real de policiais e viaturas; chat com texto, fotos, áudio e vídeo; pontuação por patentes e premiação de policiais e batalhões.
Linguagens
Java nos aplicativos Android, Python e C++ no servidor e nos módulos de processamento.
Integrações
Mapas do Google no painel e nos apps; entrada do cidadão com conta de rede social; comunicação dependente da rede móvel de 2014.
Implantação
Pacote com smartphone por policial e tablet por viatura, linha e dados, cadastro da corporação, treinamento e simulações, em etapas de 30 dias, com suporte por telefone, WhatsApp, aulas e tutoriais.

04 / Decisões

Decisões técnicas e compromissos

Um aplicativo para cada papel

Problema
Cidadão, policial e comando precisam de informações diferentes e operam em condições diferentes.
Decisão
Separar app do cidadão, app do policial com tablet na viatura e painel web do batalhão, sobre a mesma base de ocorrências.
Motivo
Cada interface mostra só o necessário para a tarefa: pedir ajuda, atender ou coordenar.
Compromisso
Três produtos para manter e treinar, em troca de telas simples para quem está sob pressão.

Triagem pelo próprio cidadão

Problema
Um botão de pânico sem contexto não permite priorizar.
Decisão
Registro em duas etapas (para quem é a ajuda e se há risco de vida), com resposta imediata ao cidadão.
Motivo
A informação chega classificada ao batalhão e orienta a prioridade de atendimento.
Compromisso
Mais toques numa emergência; por isso o botão principal continuou único e as perguntas, curtas.

Incentivo com prova

Problema
Desconfiança da população e risco de denúncias falsas.
Decisão
Pontuação por patentes para o cidadão e premiação para policiais e batalhões, contadas apenas sobre ocorrências comprovadas.
Motivo
Recompensar só o que foi confirmado reduz o incentivo ao abuso.
Compromisso
A recompensa demora mais, porque depende da conclusão do atendimento.

Reconhecer o limite da infraestrutura

Problema
Em eventos de massa a rede móvel congestionava e o rádio continuava sendo o meio de comunicação em campo.
Decisão
Vender a tecnologia a uma empresa da Lituânia e levar a Rio Tech para o setor privado.
Motivo
O software estava pronto antes da infraestrutura pública e da maturidade de mercado.
Compromisso
Abrir mão da implantação no Brasil em troca de retorno e continuidade da empresa.
Aprendizado
Uma solução inovadora precisa de infraestrutura e maturidade de mercado para atingir seu potencial. Esse limite orienta a proposta atual abaixo.

05 / Evidências

Resultados e próximos passos

Resultados e evidências

  • Mais de 12 meses de testes e reuniões com órgãos de segurança pública no Rio de Janeiro, no Pará e no Amapá (relato publicado no LinkedIn).
  • Painel do batalhão na versão 1.4.5 em fevereiro de 2015 (registro de tela).
  • Venda da tecnologia a uma empresa da Lituânia.

Próximos passos

  • Dependência de rede móvel em 2014, sem modo offline.
  • Imagens históricas em baixa resolução, reproduzidas do material publicado na época.

06 / Proposta

Como eu arquitetaria hoje

Proposta de arquitetura atual. Não foi implementada.

Proposta de arquitetura para levar o mesmo conceito à escala estadual ou nacional com a tecnologia atual. Não foi implementada: mostra as decisões que eu tomaria como CTO, começando pelo problema que limitou o projeto em 2014, a conectividade.

Proposta de arquitetura atual (não implementada)
  1. Canais
    • App do cidadão iOS/Android
    • App do policial
    • Painel do comando
    • Central 190 existente
  2. Borda
    • Gateway de API e WAF
    • Identidade OIDC com MFA
    • Fila offline e SMS
  3. Núcleo orientado a eventos
    • Barramento de eventos
    • Ocorrências
    • Localização
    • Mensagens
    • Incentivos
  4. Dados
    • PostgreSQL + PostGIS
    • Cache geoespacial
    • Mídia em objeto
    • Analítico
  5. Operação
    • Multi-região
    • Observabilidade
    • Auditoria imutável

Camadas propostas

Interface
Apps nativos ou multiplataforma com modo offline, painel web em tempo real por WebSocket e integração com a central telefônica existente, sem substituí-la.
API e serviços
Serviços pequenos por domínio (ocorrências, localização, mensagens, incentivos) comunicando por eventos; idempotência por identificador gerado no aparelho para que reenvios não dupliquem ocorrências.
Persistência
PostgreSQL com PostGIS para consultas por área e raio, cache geoespacial para posições recentes, armazenamento de objetos para fotos, áudios e vídeos, e base analítica separada da operação.
Integrações
Adaptadores para sistemas de despacho já usados pelos órgãos, notificações push e SMS como canal de contingência, com política de novas tentativas e fila de mensagens não entregues.
Infraestrutura
Execução em contêineres em mais de uma região, escalonamento por demanda para eventos de massa, testes de carga e de falha programados antes de grandes eventos.
Segurança e LGPD
Identidade federada com MFA para agentes, permissões por órgão, batalhão e função, criptografia em trânsito e em repouso, minimização de dados do cidadão e trilha de auditoria de cada acesso.
IA com supervisão humana
Apoio à triagem (transcrição de áudio, detecção de pedidos duplicados e sugestão de prioridade), sempre como recomendação: a decisão de atendimento é do agente.
Qualidade
Simulação de eventos de massa, testes de contrato entre serviços, monitoramento ponta a ponta do tempo entre pedido e atendimento.

Decisões que eu tomaria

Offline primeiro

Problema
Em 2014 a rede congestionada impediu até ligações em grandes eventos.
Decisão
Fila local no aparelho, reenvio automático e SMS como canal alternativo.
Motivo
O pedido de ajuda não pode depender de uma conexão perfeita.
Compromisso
Mais complexidade no app e necessidade de tratar duplicidade no servidor.

Eventos como fonte de verdade

Problema
Segurança pública exige saber quem fez o quê e quando.
Decisão
Registrar cada mudança de estado como evento imutável e derivar as telas a partir deles.
Motivo
Auditoria completa e serviços que escalam de forma independente.
Compromisso
Modelo mais difícil de operar do que um banco único, exigindo equipe com experiência em sistemas distribuídos.

Isolamento por órgão

Problema
Polícia Militar, Polícia Civil, Bombeiros e Guarda Municipal compartilham a plataforma, mas não todos os dados.
Decisão
Permissões por órgão, unidade e função, com compartilhamento explícito entre órgãos em cada ocorrência.
Motivo
Integração sem expor informação além do necessário.
Compromisso
Regras de acesso mais trabalhosas de definir com cada instituição.

IA como apoio, nunca como decisão

Problema
Volume alto de pedidos e risco de erro com consequências graves.
Decisão
Modelos apenas sugerem prioridade e agrupam duplicados; o agente confirma.
Motivo
Ganho de velocidade sem retirar a responsabilidade humana.
Compromisso
O ganho é menor do que com automação total, em troca de segurança e confiança.

07 / Telas

Galeria

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